25.05.18

Opinião do Expert

Ovo ou a galinha? Primeiro a Estratégia ou a Governança de Dados?

  • #BigData
  • #Business Intelligence

 

Por Marcos Palmeiro, responsável pela unidade de Negócios de Governança, Qualidade e Monetização de Dados na Keyrus

 

A necessidade de estruturar a Governanca de Dados foi um dos assuntos mais pedidos pelas organizações em 2017 e no primeiro trimestre de 2018, para unidade de negocios de Management & Transformation da Keyrus no Brasil.

A ausência de processos estruturados de Govermanca de Dados não tem impedido a aquisição de ferramentas de visualizacao e exploração de dados como Qlik Sense, Tabelau ou Power BI para dar maior independência para as áreas de negócios, e nem a evolução das tecnologias de armazenamento de dados de menor custo e de alta performance de processamento como Hadoop, por exemplo. Todavia, começa a ficar mais claro que investir apenas em tecnologias e ferramentas, não tem por si só resolvido problemas de um passado não tão distante, ainda relacionados aos silos de dados, como dados de clientes fragmentados por diferentes sistemas e áreas, com regras/conceitos aplicados de diferentes formas, ou até mesmo o clássico problema de papéis e responsabilidades sobre as questões de qualidade e baixa confiabilidade dos dados.

É neste contexto que a maioria das organizações se encontra quando o assunto é Governanca de Dados, e então surgem principais as dúvidas: Como estruturar a Governança? Qual a diferenca entre a Governança de Dados e a Governanca de TI? É um processo ou uma área? O papel desta área seria operacional ou estratégico para os negocios? Quais seriam as influências desta nova área sobre a TI e sobre as áreas de negocios?

Estas são as perguntas mais frequentes, porém as respostas não são suficientes para definir o melhor ponto de partida e caminho a seguir. Porque? Porque antes de investir e definir a melhor forma de estruturar a Governanca de Dados, é fundamental lembrar que estamos falando sobre governar algo considerado como um dos mais importantes ativos da organização, em plena era da informação.

Neste contexto, antes de definir estrutura, ferramentas, papéis e responsabilidades da Governanca de Dados, é essencial ampliar a discussão interna sobre o assunto Dados, com envolvimento da alta direção e em nivel estratégico para discutir potenciais oportunidades e objetivos de negócios como por exemplo melhorar a eficiência operacional com o uso de IoT (dados oriundos de Internet of things - dispositivos conectados), melhorar a jornada e atendimento do cliente com visão 360 graus e maior conhecimento, alavancar vendas com segmentacao avançada de clientes e prospects, reduzir perdas com fraude, entre outros casos.

Assim, partindo de razões orientadas ao negocio, será possivel concretizar e nivelar o entendimento da importância dos dados como ativo estratégico para a organização, associar retorno financeiro aos investimentos e nortear o "como" estruturar a Governanca de Dados, sem o risco de criar uma área  com viés tecnico ou operacional. E este é o caminho, comecando de forma timida ou arrojada, é preciso fazer sentido para o negócio dentro uma visão de curto, médio e longo prazo.

Agora, se a organização ainda não percebe o potencial valor estrategico dos ativos de dados, e quer apenas resolver problemas operacionais ou pontuais de qualidade de dados sobre a distribuição interna de relatorios e informações para areas de back-office por exemplo, a recomendação é resolver estes problemas com projetos especificos e pontuais, pois estruturar a Governanca de Dados para apenas resolver estas questoes, seria como "matar um pernilongo com um canhão", sem extrair o real potencial dos Dados para a organização.

O caminho efetivo e consistente para transformar a forma como a organização lida com os Dados extrapola a aquisição de novas tecnologias e a própria Governança, requer um planejamento mais amplo que envolve dimensões como Data Strategy (Data-driven); Data Management; Information Management; Organization; People; Process and Architecture.

Ter uma estratégia de Dados e extrair valor para os negócios deste importante ativo, seja para melhorar a operação ou até para criação de novos produtos e serviços, é uma realidade que já vem sendo apontada há algum tempo por entidades como Gartner, em artigos da Harvard Business Review entre outras, mas também é realidade para muitas empresas que já colocaram seus planos na prática.

A Keyrus tem uma unidade de negócios de Management & Transformation que é especialista no assunto Dados, e que pode te ajudar a construir um planejamento para colocar o assunto em prática também, dentro da realidade da sua empresa.

 

Sobre o Autor

Pós-graduado do curso de Business Analytics & Big Data pela FGV, Marcos Palmeiro é responsável na Keyrus Brasil pela unidade de negócios de Governança, Qualidade e Monetização de Dados. Com 12 anos de experiência nesta área, atuou ao longo deste período em projetos de Database Marketing, Inteligência comercial, Dados Não Estruturados, Qualidade de dados e Governança de Dados em grandes empresas de Telecomunicações, Bancos, Varejo, Seguros e Serviços Financeiros (Bureau de Crédito).