26.03.18

Opinião do Expert

Inteligência Artificial: um ano decisivo para a França

  • #InteligenciaArtificial

A inteligência artificial tem se destacado nos últimos dois anos, provocando uma corrida intensa rumo ao desenvolvimento e inovação entre as maiores potências, principalmente a China e os Estados Unidos. A França, como frequentemente faz, demorou para se preparar e participar desta corrida. Hoje, o país conta com um governo dedicado e atento às questões estratégicas envolvendo a IA, trabalhando intensivamente para ampliar a percepção que o setor pode ser uma fonte importante de crescimento econômico.

 

O próximo ano será decisivo para a França: ou será um dos 5 líderes mundiais em IA através de grandes investimentos no setor, ou não terá impulso suficiente, reconhecendo a liderança dos gigantes GAFAMI (Americano) e BATX (Chinês), desistindo assim de qualquer forma de soberania nacional no assunto. Ao contrário de alguns comentários pessimistas na mídia, este dilema, que a Europa inteira também enfrenta, não é intransponível.

Em 2017, a IA foi louvada por seus sucessos e desempenho que, em algumas ocasiões, ultrapassou os mais altos níveis de conhecimento humano. O ano de 2018 deve confirmar esta tendência, que passará a ser uma trajetória de longo prazo.  O número de startups franceses que explorara o setor de IA aumentou muito em 20171.Consequentemente, hoje temos mais de 280 startups em todo o país, atuando em setores como saúde, veículos inteligentes, mobilidade, robótica, seguros, finanças e processamento de linguagem. Esse dinamismo empreendedor está apoiando o desenvolvimento e a propagação da inteligência artificial (IA) em nosso cotidiano. As perspectivas de crescimento ligadas à transição para o digital e os avanços conquistados no campo de IA criam confiança e motivam a inovação. Este círculo virtuoso já existe na Ásia e na América do Norte. Agora, essa atitude deve ser incorporada pela Europa e a França, uma região inovadora que abriga inúmeros talentos mundialmente reconhecidos no setor de IA. Temos tudo que precisamos aqui, em nossa região, como é frequentemente o caso. Apenas precisamos usar nossos recursos da maneira apropriada para fazer parte da lista de nações que lideram o setor de IA.  

Nos últimos seis meses, esse otimismo e confiança deram origem a várias iniciativas francesas destinadas a facilitar e promover o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial. Elas devem ser acolhidas, pois devem influenciar diretamente a construção de um ecossistema nacional de IA dedicado a solucionar os desafios futuros que a nossa economia deve enfrentar.

A primeira iniciativa de IA da França, desenvolvida ao final do mandato presidencial anterior, traçou o caminho pra um debate nacional sobre a IA, culminando na publicação de um relatório inicial para determinar o escopo do setor2.

Assim que chegou ao poder, o Presidente Emmanuel Macron incorporou a IA entre as estratégias do Estado, atribuindo ao parlamentar e ao matemático Cédric Villani a responsabilidade de realizar uma auditoria detalhada e exaustiva das habilidades e políticas nacionais nesta área. Lançada em Outubro de 2017, a Missão Villani3 realizou mais de 250 entrevistas com especialistas, empresários, representantes institucionais, pesquisadores e membros da indústria, abrangendo todos os setores afetados por esta revolução tecnológica.Esta avaliação precisa do ecossistema Francês foi apresentada em um relatório entregue ao Primeiro Ministro em fevereiro. No relatório, a Missão Villani salienta as medidas que devem ser tomadas a curto prazo e elabora recomendações para apoiar o setor de IA a médio prazo. 

Enquanto isso, cerca de cem pessoas reconhecidas da área de IA, incluindo membros da indústria, startups, inovadores e especialistas, criaram o Centro Francês de IA (France AI Hub)4.Seu objetivo do Centro é de consolidar o ecossistema nacional e facilitar a inovação e a colaboração entre pesquisadores e a indústria.

Iniciativas dedicadas à IA e tecnologias NBIC (Nanotecnologia, Biotecnologia, Tecnologia da Informação e Ciência Cognitiva, por sua sigla em inglês) estão começando a aparecer e provando que esta nova dinâmica está bem distribuída na região. O projeto Universidade do Futuro, desenvolvida na região de Nouvelle-Aquitaine, assim como a criação do NXU Think Tank5 em Toulouse, são apenas algumas das iniciativas dedicadas ao debate transversal sobre os impactos sociais gerados pela convergência das tecnologias NBIC com a IA.

Diante desta evolução tecnológica, os cidadãos devem ser incluídos no debate nacional que aborda os riscos e desafios associados à IA.        Neste caso, o especialista francês Nicolas Miailhe fundou a Iniciativa de IA da Harvard University6 e exportou esse grande debate para a Europa e a França, convidando todos a falarem sobre IA.

Este dinamismo também existe a nível Europeu, e foi incorporado no projeto7 franco-alemão Euro J.E.D.I. (Joint European Disruptive Initiative) que tem como meta criar uma “agência Darpa” na Europa e acelerar o desenvolvimento de tecnologias ligadas à IA. 

O dinamismo dos startups francesas de IA, em conjunto com estes centros, laboratórios de ideias e debates, está construindo um ecossistema nacional que deve fazer de 2018 um ano de grandes sucessos!