15.09.17

Opinião do Expert

A Internet Industrial das Coisas, um verdadeiro acelerador da Transformação Digital!

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Pensar nos 20,4 bilhões de dispositivos conectados previstos pelo Gartner até 2020 pode fazer sua cabeça girar. Mas de que dispositivos estamos falando? Parte deles são os inúmeros gadgets e objetos do dia-a-dia equipados com chips e sensores que proliferam no Las Vegas CES e em sites de crowdfunding. Cresce também o número de dispositivos de rastreamento, vestíveis e de “auto quantificação” que, juntos com seus respectivos aplicativos para smartphones, estão reinventando o mercado de bem-estar individual e, pouco a pouco, entrando no mercado de saúde conectada.
 
Tudo isso exclui as aplicações industriais do IIoT (Internet Industrial das Coisas), e, no entanto, essas aplicações abrangem todos os setores. Aliás, eles já estão transformando não somente os processos de produção, mas também as cadeias de valor e assim, mudando o foco para os dados, análises e os serviços B2B e B2C que podem fluiir deles.
 
 
A inteligência não está nos sensores
 
A IIoT deve ser considerada como um incrível acelerador da transformação digital corporativa, pois anda de mãos dadas com a integração do Digital em todos os processos e instalações. De fato, a queda acentuada no preço de sensores e tecnologias de conexão significa que eles agora podem ser amplamente implementados, em cadeias de design e produção e também nos próprios produtos finais – sejam eles equipamentos industriais, edifícios, redes físicas (transporte, energia e outros serviços públicos), ou dispositivos destinados à comercialização em massa. No entanto, a infinidade de sensores conectados e distribuídos não seria capaz, por si só, de tornar as novas arquiteturas industriais e infraestruturas “inteligentes”. Esses dispositivos, fixos ou embutidos em objetos móveis, geram fluxos constantes de dados geolocalizados em tempo real. Isso quer dizer que qualquer uso efetivo desses fluxos de dados – para supervisão, realizar manutenção preventiva, obter melhorias contínuas, regular fluxos, etc. – depende necessariamente do um processo analítico altamente automatizado, no qual a Inteligência Artificial deve desempenhar um papel cada vez mais importante. O uso efetivo destes fluxos de dados também depende de uma nova geração de aplicativos máquina-para-máquina que, com as informações produzidas pelos sistemas analíticos, poderiam ir muito mais longe no caminho da automação. Em outras palavras, a modernização das instalações industriais através da IIoT será uma fonte de milhões de horas de trabalho para as empresas jovens que já se consolidaram neste setor (Netatmo/Domótica, Carriots/Energia, Evrythng/Smart Products, Claroty/Cibersegurança...), uma boa notícia para analistas de dados e engenheiros de software.
 
A informação se dissemina do fabricante para o cliente final
 
A IIoT está mudando radicalmente as cadeias de valor herdadas da última era industrial porque pode ser utilizada para criar um elo direto entre o produtor e o usuário final, seja esse usuário uma pessoa física ou jurídica, através de objetos conectados e incorporados em seus produtos. Isso levanta algumas questões em relação ao papel dos intermediários, por exemplo, os distribuidores, por que seu diferencial era seu conhecimento do cliente final. Por exemplo, os dados gerados por veículos conectados são uma preciosa fonte de informações sobre seu real desempenho técnico, e também sobre as práticas e comportamentos individuais de seus usuários. Não será mais a concessionária de carros que detém a inteligência de mercado, e sua posição já está sendo ameaçada pelo modelo de venda direta através da Internet, um modelo que todos os fabricantes de veículos estão adotando. Os dados sobre o uso de veículos conectados são analisados pelos fabricantes para projetar modelos futuros. Essas informações também são a matéria prima para o desenvolvimento de novos serviços destinados ao usuário: gerenciamento remoto de frotas, seguros sob medida, notificações push – personalizadas e geolocalizadas – com ofertas que são visualizados através do computador de bordo do veículo... O acesso a esses dados é o principal motivo das parcerias entre os fabricantes de veículos e os gigantes da economia de dados, que também estão trabalhando para desenvolver ambientes como a casa conectada ou a saúde conectada.
 
Os limites atuais de uma interligação mais ampla
 
No entanto, o potencial para criar novos serviços baseados no uso de dados recolhidos da IIoT é restrito, em primeira lugar, pela ausência de interoperabilidade entre as redes de objetos conectados. A Internet Industrial das Coisas é uma tentativa de corrigir isso, com a promoção de uma quantidade limitada de regras fundamentais para os principais setores industriais (energia/serviços públicos, transporte, saúde, indústrias) e a criação de gateways padronizados interligando essas normas. O segundo fator que restringe o potencial da IIoT é a preocupação com a segurança desses novos ecossistemas industriais, precisamente pelo maior número de possíveis pontos de entrada. Os recentes ataques cibernéticos dos ransomwares WannaCryptor e Petya foram uma alerta sobre as vulnerabilidades desses sistemas. O terceiro fator negativo é a tolerância social dessa ampla interligação e o risco que essas redes poderiam representa em termos de invasão de privacidade. A resistência contra a implantação do medidor inteligente Linky, que é fundamental para a modernização da rede de distribuição da EDF, mostra que este certamente não é o menor dos obstáculos a serem superados.
É somente abordando estas três questões – a padronização, a segurança e o equilíbrio social – que a indústria poderá realmente realizar todo o potencial da IIoT, aproveitar ao máximo de tudo que tem a oferecer e, assim, fazer da transformação digital um sucesso.
 
Fundador e CEO da Keyrus
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