06.07.17

Opinião do Expert

Start-ups: A nova fonte de inspiração para as empresas?

  • #Keyrus Innovation Factory

Cyril Cohen-Solal, Diretor da Fábrica de Inovação da Keyrus, um Acelerador de Inovação para Companhias & Start-ups

As grandes empresas estão à procura de start-ups para aumentar e acelerar sua capacidade de inovação. No entanto, as regras do jogo mudaram: as start-ups não querem mais esses mentores que as protegem com a intenção de depois absorvê-las com mais facilidade. Elas querem a oportunidade de crescer e trabalhar com empresas tradicionais, adotando uma filosofia onde todos ganham

 


64% das grandes empresas dizem que é importante (e 23% dizem que é fundamental) trabalhar com start-ups . É uma porcentagem alta, por dois motivos:

a necessidade de acelerar o ciclo de inovação para atender às exigências e necessidades de seus clientes, que estão mudando rapidamente por força da revolução digital e “social”, e suas organizações internas de P&D e inovação, que não conseguem acompanhar o ritmo dessa evolução.

o medo da entrada de um novo concorrente em seu mercado, ou seja, o receio de aparecer um novo Uber ou Airbnb, que cresceram rapidamente e desestabilizaram os mercados de hotéis e taxis usando um simples aplicativo, agindo como intermediários e ganhando a confiança do mercado.

As empresas tradicionais querem se aproximar das start-ups e desenvolver programas nesse sentido, não somente com o objetivo pragmático de inovar a curto prazo e de desenvolver/modernizar seus produtos e serviços, mas também para monitorar e avaliar possíveis alvos de aquisição. Por esse motivo, 23 dos 25 grandes grupos franceses que fazem parte da 500 Global da Forbes iniciaram programas, frequentemente programas internacionais, direcionados a start-ups . Mais especificamente, esses programas são fundos de investimento (Capital de Risco Corporativo), incubadores e aceleradores, além de espaços de trabalho conjunto e, claro, competições na área de inovação. De fato, essas competições são cada vez mais comuns e são implementados por muitas companhias, de vários tamanhos, quando precisam inovar rapidamente; esse tipo de programa é mais barato, mais rápido e, acima de tudo, mais alinhado com as expectativas atuais do mercado em termos de uso.

Esses programas estão produzindo resultados?

Para responder a essa pergunta, é importante comparar os objetivos dessas empresas com as metas das start-ups. É importante reconhecer que os objetivos desses dois grupos nem sempre estão totalmente alinhados. É comum dizer, especialmente na França, que o criador de qualquer start-up quer ser adquirido por um grande grupo, o mais rapidamente possível. Estudos recente, e nossas observações através da Fábrica de Inovação da Keyrus, mostram o oposto: na França e em outros países, a grande maioria das start-ups veem sua colaboração com outras empresas como meio de ganhar acesso ao mercado. Ou seja, as start-ups estão procurando clientes e parceiros e não um potencial comprador ou futuro acionista.

Essa situação está se consolidando, especialmente com os esquemas de apoio e canais de financiamento cada vez mais estruturados e diversificados, particularmente no setor público. Ou seja, para obter financiamento durante sua fase inicial ou para sustentar seu crescimento, uma start-up não precisa mais da proteção de um grande grupo. Antigamente, a start-up teria (de maneira explícita ou implícita) de abrir mão de sua liberdade de abordar outros agentes do mercado. Hoje, as start-ups querem abrir suas próprias portas, não fechá-las. Elas ainda estão abertos aos esquemas disponibilizados por empresas maiores, mas, ao mesmo tempo, não querem ser restringidos ou perder a oportunidade de testar seu modelo econômico, tecnologia ou produto no mercado.

 

 

O desenvolvimento desse ecossistema, que é especialmente marcante na França, também oferece a start-up a possibilidade de separar o desenvolvimento do negócio da busca por financiamento, ou da modalidade de sua “saída” (via aquisição ou, menos frequente, listagem na bolsa de valores). Outro resultado positivo desse ecossistema é a explosão do número de start-ups. Existem mais de 3000 apenas na região de Tle-de-France. Isso é motivo de orgulho, mas precisamos reconhecer que mesmo para as companhias mais bem organizadas, essa proliferação dificulta a identificação das start-ups com os quais podem trabalhar numa situação onde todos saem ganhando. Além disso, as companhias devem procurar além de suas fronteiras para buscar as tecnologias que precisam, modernizar seu produto ou serviço ou identificar inovações incipientes que podem transformar o mercado. Empresas de grande porte possuem os recursos necessários para realizar esse processo de busca e seleção no mercado internacional mas, para empresas de médio porte, que também tenham a necessidade de inovar e representam uma opção muito interessante para as start-ups, a internacionalização desse processo pode ser mais difícil.

Capturando a inovação e estabelencdo uma parceria onde todos saem ganhando

Entre a necessidade de inovar e o receio de novos entrantes que chegam para mudar seus mercados, as companhias estão começando a reconhecer que, de todas as opções disponíveis, elas conseguem criar mais valor a longo prazo através de parcerias e não através do processo de simplesmente capturar a inovação de uma start-up, ou concorrer como novos entrantes que, quando identificados em um estágio mais avançado, já estariam tomando seu mercado. Hoje, qualquer grupo hoteleiro diria que teria sido possível construir um relacionamento vencedor com a Airbnb, se tivesse agido no momento certo para explorar as possíveis sinergias entre sua plataforma e seus principais negócios. Felizmente, companhias e start-ups em todos os setores estão desenvolvendo parcerias altamente construtivas.

Por exemplo, depois de incorporar um pequeno dispositivo conectado, projetado por uma start-up, em seus inaladores para asmáticos, uma empresa farmacêutica está colhendo informações sobre os hábitos de seus pacientes (o horário do dia em que usam o inalador, a dosagem usada...), e, com isso, estão criando um relacionamento direto com o paciente que viabiliza a oferta de novos serviços através de um aplicativo para smartphones. Essa parceria pode ser vista com um “ganho triplo”: a empresa farmacêutica ganha informações impossíveis de obter através de seu modelo de negócios B2B2C; a start-up abriu um mercado que permite continuar o desenvolvimento de suas tecnologias;  e o usuário desse dispositivo conectado pode aproveitar de um serviço adicional.

Um outro exemplo, dessa vez do setor de varejo, um varejista testou um sistema inovador de lasers capaz de automaticamente analisar o conteúdo de uma cesta de compras. Isso também resultou em ganhos para todos os envolvidos: validação da tecnologia criada pela start-up, economias e conveniência para o consumidor com a automação de todo o processo de pagamento; e eficiências para o varejista, e a eliminação do tipo de fraude que poderia ocorrer com outros sistemas automatizados de pagamento. 

Criando as condições para encontrar parceiros e criar valor

Todas as start-ups que auxiliamos através da Fábrica de Inovação da Keyrus - na França, Israel, ou EUA - estão dispostas a colaborarem com empresas tradicionais, de grande ou médio porte. Mas as start-ups não aceitam quaisquer termos e condições! Em primeiro lugar, os objetivos da start-up e do grupo devem ser alinhados. Essa complementação estratégica, principalmente a convergência de valores, é uma condição essencial para uma colaboração bem sucedida entre uma companhia estabelecida e uma start-up.

Para viabilizar uma parceria bem sucedida, ambas as partes devem saber o que podem esperar da outra e trabalhar com um cronograma comum. Entre os fatores que qualquer companhia deve considerar estão:

• O tempo não tem o mesmo valor para startups e organizações complexas e internacionais, de maior porte. Para a maioria das start-ups, seis meses seria uma eternidade. Por esse motivo, as grandes empresas devem acelerar e simplificar seus processos de interação.

• As start-ups com apenas um ou dois anos de experiência, ou apenas alguns meses de existência, não teriam condições materiais para satisfazer os critérios e requisitos que normalmente seriam atendidos por um parceiro/fornecedor tradicional. Nesse caso, as condições de elegibilidade e os termos contratuais devem ser ajustados e afrouxados e, quando necessário, as start-ups devem receber assistência para obter as certificações normalmente exigidas.

• As start-ups mais promissores também são aquelas que recebem o maior número de convites. Com tantas opções, a start-up acaba optando pela companhia que oferece mais, não somente em termos de parceria, mas também em termos de criação de valor.

Três recomendações para a experiência de um #kif com start-ups

1 - Estabelece objetivos claros para a companhia - Diante do número crescente de start-ups que sabem o que realmente querem, qualquer companhia deve estabelecer e priorizar os motivos atrás de sua decisão de trabalhar com empresas jovens e inovadoras.
Essa primeira classificação é essencial, por que seus objetivos determinam as possíveis modalidades de colaboração e a fase de desenvolvimento das start-ups que podem ser abordados.

 


 

Quando uma companhia está em busca de novos conceitos ou novos produtos, ela deve abordar start-ups mais jovens que, se não conseguem oferecer uma solução tangível, podem pelo menos oferecer uma nova perspectiva sobre seu mercado e seus clientes. Do outro lado, uma start-up do setor de tecnologia que já realizou sua primeira rodada de financiamento seria um parceiro mais apropriado em projetos conjuntos de P&D com um horizonte de médio prazo. Ou, quando uma companhia procura crescimento externo, seria mais interessante buscar start-ups que já tiveram algum sucesso no mercado em questão.
Para maximizar seus esforços e recursos, o primeiro passo para qualquer companhia é de avaliar sua atual fase dentro de um matriz que leva em conta seus objetivos de curto, médio e longo prazo, e a maturidade das start-ups que podem ser abordados.

Case de uso: Por exemplo, um de nossos clientes, do setor de seguros, queria lançar um aplicativo digital e buscou inovações, adotando 2 critérios diferentes para atingir 2 objetivos diferentes. O cliente queria identificar seus clientes usando um sistema para digitalizar seus documentos de identidade, e subcontratou uma start-up em uma fase mais avançada de desenvolvimento, enquanto a busca por inovação focou em um projeto conjunto de Pesquisa e Desenvolvimento com uma start-up mais jovem.

2 - Mesclando intra-empreendedores com start-ups - A capacidade de identificar suas necessidades/objetivos de inovação, e as start-ups e projetos de maior interesse, não garante que a companhia terá a capacidade de integrar a inovação gerada por uma start-up. Recomendamos que qualquer empresa que passe a fazer parte da Fábrica de Inovação da Keyrus mescle o intra-empreendedorismo com inovações que já podem ser implementadas. É uma maneira comprovada de comparar diferentes pontos de vista e criar sinergias que combinam a criatividade característica das start-ups com o conhecimento sólido que os funcionários possuem da companhia, seus clientes e produtos. Na realidade, as start-ups estão muito interessados nesse tipo de mentoring, por que amplia sua compreensão dos problemas enfrentados pela companhia. Além disso, os funcionários da companhia teriam a oportunidade de buscar iniciativas empreendedoras dentro do ambiente corporativo, contando com o suporte da administração e trabalhando com start-ups, que é uma ótima maneira de realizar seu potencial de inovação, além de promover a disseminação e absorção de uma cultura de inovação em todos os níveis da companhia.

Case de uso: Para atender às necessidades de um banco de grande porte, inicialmente organizamos um hackathon para seus funcionários para descobrir inovações incrementais criadas pelos próprios funcionários, que são, de fato, as pessoas que melhor conhecem os produtos e os clientes. Em uma segunda fase, iniciamos o processo de interação com start-ups, que levaram adiante essas inovações. Reunindo a intra-empreendedorismo e as start-ups, foi possível potencializar a criatividade e a inovação.

3 - Implementa projetos pilotos rapidamente - Finalmente, para atingir seus objetivos na área de inovação, a companhia deve agir rapidamente para implementar projetos pilotos com as start-ups identificados. A nossa experiência revela que a realização de três projetos pilotos em cada área estratégia identificada pela companhia permite testar as capacidades das start-ups escolhidos e seus projetos para obter resultados concretos. Dependendo do retorno previsto sobre seu investimento, a companhia pode comparar os resultados e tomar uma decisão informada de realizar um teste completo com o parceiro que apresentou os melhores resultados.

Case de uso: Por exemplo, um cliente do setor de comércio eletrônico optou por uma abordagem mais pragmática, criando uma situação onde foi obrigada a escolher entre 5 e 8 start-ups por ano, para manter a busca pela excelência no atendimento e melhorar o desempenho dos funcionários.
 
Essas recomendações são baseadas na experiência da Keyrus e seu trabalho com start-ups e empresas em busca de inovação. Essas recomendações fazem parte dos princípios adotados pela Fábrica de Inovação de Keyrus (KIF); sua missão é de acelerar a inovação, criando elos entre start-ups inovadoras e grandes companhias europeias. A KIF reduz a lacuna entre esses dois ecossistemas, ajudando a abrir novos mercados para start-ups e encontrar soluções inovadoras para as companhias, capazes de solucionar os desafios associados com suas transformações.

SOBRE O AUTOR

Cyril Cohen-Solal é Vice-Presidente de Inovação do Grupo Keyrus e responsável pela "Fábrica de Inovação Keyrus", um acelerador que conecta start-ups com corporações. Ele também trabalha como mentor de várias start-ups e coordena "French Tech Israel'', um centro oficial do eco sistema de tecnologia francesa localizado no Israel. Cyril também é uma fonte na área de alta tecnologia para o canal de TV i24News e correspondente para o site FrenchWeb.fr.

 


 
SOBRE A FÁBRICA DE INOVAÇÃO KEYRUS

Presente na França e em Israel, a Fábrica de Inovação Keyrus (KIF) é o acelerador de start-ups do Grupo Keyrus, uma companhia internacional especializada nos setores de Dados e Digital. 

A KIF ajuda:

> Companhias de grande porte em sua busca por tecnologias inovadores e implementação de novas soluções.

> Start-ups, através de um programa de coaching e networking, com duração de 6 meses, que oferece oportunidades de apresentar suas soluções a grandes grupos.

A KIF também é um fundo de investimento de risco, fazendo investimentos altamente seletivos em start-ups que enriquecem o portfólio de soluções inovadoras do Grupo Keyrus.

Para saber mais, visite: Keyrus-kif.com

 

[1] Fonte: The State of Start-up/Corporate Collaboration 2016, um estudo realizado pela imaginatik e a Masschallenge entre 30/03/2016 e 24/04/2016 com 112 companhias de grande porte e 233 start-ups.

[2] Fonte: How do the World's Biggest Companies Deal with the Start-up Revolution, INSEAD e 500 Start-ups, fevereiro de 2016.

[3] O objetivo da Fábrica de Inovação da Keyrus (KIF) é de criar laços entre start-ups inovadores e companhias para acelerar a inovação. Para saber mais: http://www.keyrusinnovationfactory.com

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