08.03.17

Opinião do Expert

Inteligência Artificial no centro das mudanças nas empresas

    A Inteligência Artificial (IA), que agora se destaca todos os dias, está sendo implementada rapidamente na maioria dos setores de negócios, abalando no processo, a experiência humana existente nas empresas

    A realidade é que a IA, junto com sua eficiência e versatilidade, é inegavelmente demonstrada pela pura e simples variedade de exemplos de aplicações que a utilizam. Pode-se notar especialmente a importância cada vez maior das aplicações de IA que classificam, analisam e imitam o gênio humano. Essas mesmas aplicações de IA estão preparadas para se infiltrar em todas as partes componentes das empresas, de modo a otimizar o funcionamento e a rentabilidade delas.

    As respectivas transferências de conhecimento dos seres humanos para o sistema inteligente representam dificuldades que os chefes de empresas devem enfrentar rapidamente. Dessa forma, esses chefes acabam enfrentando a necessidade de fazer trocas. Ao abalar o modelo organizacional das empresas, a Inteligência Artificial está mudando fundamentalmente os equilíbrios e e as forças motrizes em jogo. De agora em diante, quando pensarem nos benefícios proporcionados pela IA, os chefes de empresas devem examiná-los em três grandes linhas estratégicas: Desempenho, OrganizaçãoeRecursos Humanos. Nenhuma dessas áreas de concentração pode ser avaliada individualmente sem adaptar as outras ou colocá-las no mesmo nível. Por serem interdependentes, elas precisam ser contempladas como um todo e de uma forma que leve em conta as restrições econômicas e sociais.

     

     

    A IA está provocando uma revolução no desempenho econômico das empresas

    Alguns estudos realizados em 2016 sobre o impacto da IA entre agora e 2035[1] afirmam que o crescimento econômico dos países deixará de ser avaliado com base no seu capital para ser avaliado pelo seu nível de maturidade em IA. Essa mudança no critério de referência fala muito sobre as mudanças que estão por vir. Na França, a IA aumentará a produtividade nacional em mais de 20% até 2035 (sendo esse aumento de 35% na produtividade norte-americana).

    Analisando o atual estado da técnica dos recursos funcionais da IA em termos de seus novos usos, podemos elaborar uma lista, ainda que incompleta, dos possíveis benefícios que a IA pode proporcionar quando incorporada aos sistemas de informação das empresas.

    A IA pode ser (e é) utilizada para produzir, por exemplo, indicadores de desempenho mais confiáveis e precisos, e implementar sistemas para reconhecer produtos automaticamente e determinar as classificações de produção. Além disso, ela permite otimizar a gestão de estoques controlada por custos e os fluxos planejados (pedido, entrega, transporte...). Ela também está revelando ser eficaz na detecção de casos de fraude e de anomalias contabilísticas e financeiras; na identificação antecipada das crises e recuperações de mercado; na avaliação do risco de inadimplência de um cliente, etc. Ela pode ser usada para estudar padrões de comportamento em lojas, automatizar o suporte ao cliente pela Internet (robôs de bate-papo interativo), fazer recomendações pessoais de produtos, definir dinamicamente os preços de venda desses produtos e otimizá-los...

    Seu âmbito de aplicação muito amplo chega diretamente aos recursos de Aprendizado de Máquinas e/ou Aprendizagem Profunda implementados em plataformas dedicadas.

     

    A IA está levando ao surgimento de novos métodos organizacionais e de trabalho

    Quando atingir a maturidade, a Inteligência Artificial mudará a própria natureza do trabalho e das relações homem-máquina.

    A IA se encarregará de todas as tarefas repetitivas e codificáveis (aplicando algoritmos dedicados). Dessa forma, ela vai abalar os modelos tradicionais do tipo fordista e desenvolverá novas estruturas organizacionais dentro das empresas, levando ao surgimento de uma relação de colaboração cada vez mair entre homem e máquina, como a cobótica, ou a robótica industrial, na área de produção.

    A cobótica (ou robótica colaborativa) visa, por exemplo, a produzir robôs que ajudem o homem, automatizando uma parte das suas funções e do seu trabalho. Dessa forma, ela diminuirá a arduidade de certas tarefas, aumentando a capacidade, a autonomia e o desempenho geral dos funcionários das empresas.  Já existem exemplos disso em abundância, como cobôs instalados nas linhas de montagem de fabricantes de automóveis, ou o uso de exoesqueletos para dar apoio muscular aos funcionários e, assim, facilitar a realização de inúmeras tarefas.

    Dessa forma, a IA permitirá que as empresas se tornem mais flexíveis, menos hierárquicas e mais horizontais, principalmente proporcionando aos seus funcionários maior autonomia e independência no seu trabalho.  Os novos postos de trabalho que virão com as mudanças induzidas pela IA envolverão essencialmente funções de supervisão e controle, e as relações gerenciais serão completamente remodeladas em todas as empresas. Não há dúvida de que essas empresas verão novos “lucros” no horizonte, como a diminuição do número de faltas ao trabalho e de acidentes de trabalho, para citar apenas alguns deles.

    Para integrar a IA com êxito no coração do seu sistema de informação, uma empresa sempre precisará investir na gestão de talentos humanos e na formação de seus funcionários. Por outro lado, a gestão de talentos e os recursos humanos em sentido amplo ganharão eficiência graças à Inteligência Artificial. No final, a questão central diz respeito às mudanças futuras na proporção de postos de trabalho:

    Número de novos empregos criados pela IA/Número de postos de trabalho destruídos pela IA

    As previsões pessimistas estão em desacordo com as mais otimistas, que preveem a substituição sem a perda dos postos de trabalho atuais. Na verdade, a incerteza, junto com a falta de dados e perspectivas sobre o assunto, impede qualquer previsão confiável sobre essa proporção.

     

    A IA está redefinindo as políticas de Recursos Humanos

    A IA deverá provocar mudanças fundamentais na forma como os funcionários das empresas são recrutados, gerenciados e avaliados. As empresas darão, logicamente, preferência a candidatos de perfil versátil, flexível e aberto a mudanças, em comparação com aqueles com conhecimento altamente especializado e rígido. A IA está se tornando um importante ator no processo de recrutamento, com resultados que, também nessa área, estão superando o discernimento humano. Um estudo publicado este ano na Harvard Business Review[2] afirma, com estatísticas que o fundamentam, que a IA continua sendo 25% mais confiável do que um ser humano na avaliação do currículo de um candidato a emprego. Dirigido por uma equipe de pesquisadores canadenses e americanos, o estudo especifica que, quanto mais candidatos houver para a mesma vaga, mais essa diferença de confiabilidade aumentará a favor da IA. Os seres humanos se deixam distrair pelas informações nos currículos e acabam produzindo um resumo mental das informações, que é imperfeito, distorcido por elementos de inclinação cognitiva e por um volume muito grande de informação. 

    Como ferramenta de contratação, a IA está se tornando cada vez mais eficaz em processos de seleção de currículos de candidatos. Uma solução como a Riminder[3] consegue processar 5 mil CVs de maneira eficaz em 23 segundos! Ela proporciona aos departamentos de RH a capacidade combinada do big data e da aprendizagem profunda para encontrar o melhor perfil para uma determinada vaga, e vice-versa. A Riminder é uma plataforma desenvolvida em parceria com os laboratórios Centrale Paris, a École polytechnique e a École Normale Supérieure de Paris. Usando essa solução, é possível poupar um tempo considerável no processo de seleção, principalmente através da automatização e da optimização de tarefas administrativas ligadas ao recrutamento. O tempo economizado pode, assim, ser dedicado ao aspecto humano da avaliação das candidaturas.

    O aumento da capacidade da Inteligência Artificial no coração das empresas e no atendimento de suas necessidades não virá sem que as empresas repensem de maneira fundamental sua organização, sua cadeia de tomada de decisões e sua cultura. As transferências de conhecimentos dos seres humanos para os algoritmos podem ser polêmicas se o aumento do desempenho não for suficientemente tangível. Qualquer colaboração entre o homem e o sistema exige pelo menos um certo grau de consentimento em cada nível da hierarquia e do pessoal de gestão. Este consentimento fundamenta-se na confiança que se coloca, ou não coloca, na IA, o que provoca mudanças nas práticas e nos empregos. Essas mudanças colocam questões para o tomador de decisões: como se deve fazer para integrar a nova distribuição de tarefas na empresa e aceitá-la, se ela muda os equilíbrios existentes e elimina determinados postos de trabalho? Como é possível conciliar desempenho, agilidade e ética na implementação da IA? O chefe da empresa precisa enfrentar essa questão central e atingir um equilíbrio entre opções complexas, e deve fazer isso em boas condições!

     


    [1] CIGREF 2016 Report (67 pages) "Artificial intelligence governance in enterprises": http://www.cigref.fr/wp/wp-content/uploads/2016/09/Gouvernance-IA-CIGREF-LEXING-2016.pdf

    [2] D.M. Klieger, N.R. Kuncel, D.S. Ones, "Algorithms that are stronger than instinct" – Harvard Business Review ) December – January 2015.

    http://www.hbrfrance.fr/magazine/2014/11/4824-les-algorithmes-plus-forts-que-linstinct/

    [3] Riminder: https://riminder.net/

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