28.10.16

Opinião do Expert

Melhores práticas e abordagens inovadoras para tornar bem sucedido seu projeto de aplicativo para dispositivos móveis

  • ##Digital Experience

Por Jean-Philippe Clair | Diretor de Agência Digital - Keyrus

Um projeto de aplicativo para dispositivo móvel – para B2B, B2C ou funções empresariais – não é um Projeto de TI e nem mesmo um Projeto da Web como qualquer outro. Para ser um sucesso, ele precisa ser conduzido com agilidade e rapidez, ao mesmo tempo em que constantemente enfatiza a experiência do usuário. Usando design inovador e métodos de prototipagem colaborativa, é possível enfrentar esse desafio e entregar, dentro de três meses, aplicativos que estejam harmonizados com as expectativas e práticas daqueles grupos de pessoas aos quais estão destinados.

 

Todo dia, centenas de novos aplicativos móveis aparecem nas principais lojas de aplicativos do mercado. É um eufemismo dizer que nem todos eles serão tão bem sucedidos quanto se esperava… Com mais de 2,2 milhões de aplicativos disponíveis no Google Play e 2 milhões na Apple App Store1, a gama disponível ao público é imensa, mas é dominada por um punhado de aplicativos principais – para jogos, mensagens instantâneas, e redes sociais – cujos números de usuários saltam para centenas de milhões.

Juntamente com essa gama voltada para o público, existe outro mercado que é menos visível, porém, está em franco crescimento: trata-se daquele de aplicativos profissionais ou "comerciais". Transformando métodos de trabalho, esses aplicativos estão abrindo novos mercados para ganhos em produtividade e eficiência, em todas as funções empresariais e setores de atividade. Por exemplo, a empresa Pernod Ricard, cliente Keyrus, era capaz de digitalizar inteiramente o processo de controle de qualidade em seu local de produção em Lormont, na França, equipando os operadores com um aplicativo para dispositivo móvel instalado em um tablet. Este aplicativo lhes possibilita entender e comunicar informações diferentes sem a necessidade de anotar no papel. Para Alexandre Defrance, diretor da Área de produção da região de Lormont-FR:

“Este projeto de acesso de recursos digitais é um grande ponto de transição para as equipes de envasamento”. Retemos controle sobre nosso processo de qualidade, ao mesmo tempo em que também o tornamos mais instantâneo, responsivo, confiável e digital. A natureza inclusiva e inovadora do conceito estimula os funcionários em direção à excelência operacional."

Nesse contexto, não faz sentido esperar grandes realizações e esses resultados transformando ou adaptando para formatos de dispositivo móvel um aplicativo que tenha sido originariamente desenvolvido para computadores. Essa abordagem está fadada ao fracasso. Quer seu aplicativo móvel seja voltado ao público em geral, a seus clientes ou a seus funcionários, é crucial vê-lo como um projeto específico. Para ser bem sucedido, o projeto deverá:

  • estar inteiramente pensado e desenvolvido para dispositivos móveis, no espírito de dispositivo móvel, e não como um software clássico ou Projeto de Web;
  • respeitar os aspectos fundamentais que todo usuário de smartfone ou tablet espera encontrar em um aplicativo e que são pré-requisitos básicos para sua adoção: uma dimensão lúdica, simples, intuitiva e rápida.

Não é por acaso que os métodos mais eficientes de criação de aplicativos específicos para dispositivos móveis adotem dois desses aspectos fundamentais. Centrados em uma experiência do usuário, eles são decididamente lúdicos e enfatizam velocidade, especialmente na fase de design.

UM PROTÓTIPO "CLICÁVEL" EM 3 SEMANAS

Em uma verdadeira "fábrica de dispositivos móveis", as equipes de criação e de desenvolvimento trabalham de mãos dadas. Acima de tudo, elas trazem os futuros usuários on board desde o início do projeto, em uma fundamentação de cocriação que adota os princípios do Design Sprint.  Tendo se originado no mundo Google, esta metodologia torna possível resolver, dentro de um curto espaço de tempo, problemas de experiência do usuário (UX) e interface com usuário (UI) usando design e prototipagem.

Trabalhando sem especificações prévias, os workshops de criatividade baseados em jogos sérios permitem que as expectativas e idéias dos usuários emerjam e a prototipagem colaborativa entre em atividade rapidamente. Por exemplo, com uma plataforma como a do Invision, agora é fácil criar modelos "clicáveis" usando as interfaces desenvolvidas pelos designers – sem escrever uma única linha de código, e mesmo assim, eles ainda são diretamente utilizáveis em tablets ou smartfones!  Esta técnica de dinamização de imagem torna possível “linkar” telas e, dessa forma, testar as jornadas dos usuários de maneira realística. Os usuários podem "brincar" com esse modelo, modificando-o facilmente de acordo com suas observações, até o ponto em que eles fiquem satisfeitos em termos de uso e navegação. O segredo para tornar esta fase de design bem sucedida reside:

  • na ausência de especificações tradicionais, uma vez que dá aos usuários rédeas soltas para inventar o aplicativo que mais lhes agrada, sem ficar presos por requisitos funcionais determinados a priori e sem levar em consideração as realidades de seu uso;
  • na rápida interação entre usuários e designers, que evita que se fique atolado em erros ergonômicos críticos que serão difíceis e onerosos de corrigir, uma vez que o aplicativo tenha sido codificado;

 

AS 4 PRINCIPAIS CAUSAS POR TRÁS DO FRACASSO DOS PROJETOS DE DISPOSITIVOS MÓVEIS

Querer imaginar tudo do jeito certo de maneira a ter o aplicativo mais exaustivo possível.  Isto estende os períodos de tempo, ao passo que um projeto de dispositivos móveis e precisa ser rápido.  O objetivo deve ser o de apresentar uma primeira versão em menos de 3 meses.

Projetar o aplicativo sem os usuários finais: trabalhar a partir de uma mera angariação de necessidades.  A UX (user experience) é o fator essencial para fazer com que os usuários de um aplicativo o adotem.  Seus usuários devem estar envolvidos nas fases desde o design, criação, e validação do modelo.

Trabalhar a partir de especificações tradicionais.  Até terem sido desenhados e finalizados, os requisitos já mudaram.  Adotar uma abordagem "fail fast" [“erre rápido”] é muito mais eficaz.

Negligenciar a mudança de gestão.  Aplicativos móveis de negócios colocam em questão os hábitos e processos, e mesmo organizações.  Os usuários devem ser respaldados com suporte, de maneira que essa transição transcorra bem para eles.

UMA V1 EM UM MÁXIMO DE 3 MESES

Ao configurar um modelo, você entra na fase de produção, em outras palavras, a codificação que tornará possível se mover através de uma sucessão de telas – que não são nada mais do que imagens paradas – para interfaces funcionais. Utilizando métodos industriais de desenvolvimento, testes, e integração contínua, é possível garantir que o código produzido está em conformidade com os padrões de mercado. A presença contínua de designers junto aos desenvolvedores ajuda a garantir que o que está sendo desenvolvido é consistente com o que foi imaginado com os usuários durante a fase de design.

Não é uma coisa mais fácil para as equipes de TI de uma empresa fazer isso, mas temos de admitir que a V1 de um aplicativo móvel é, se não básico, pelo menos limitado àquilo que é essencial em termos de funcionalidades. É o que torna possível seguir rapidamente, tendo em mente que um projeto de dispositivos móveis que dure mais de 3 meses tem uma tendência de sair dos trilhos e ficar preso nas armadilhas do perfeccionismo.  É melhor começar "pequeno" e rapidamente entregar uma primeira versão – concedida, incompleta, porém, perfeita em termos de UX – sempre tendo em mente que um projeto de dispositivos móveis bem sucedido nunca termina com a V1.

UM PLANO DE DESENVOLVIMENTO REAL DESDE A V1

Quando a V1 é publicada – em uma loja de aplicativos pública ou privada – a vida real do aplicativo tem início, e você precisa já ter em mente os primeiros estágios de um plano de desenvolvimento de 6 ou 9 meses, com o objetivo de:

  • enriquecer a próxima versão, adotando as ideias desde a fase de design, que puderam não ser implementadas na V1;
  • receber e incorporar as observações, os comentários, e o feedback de usuários em relação à V1, com a fundamentação de aprimorar continuamente a experiência do usuário;
  • reviver o interesse dos usuários anunciando regularmente novidades, aprimoramentos, e enriquecimentos.

Um aplicativo móvel que não se desenvolve pode morrer muito rapidamente porque desaponta os usuários, por exemplo, uma vez que não incorpora os últimos códigos gráficos ou modos de navegação… É por isso que empresas que propõem aplicativos muito populares, tais como Mappy e SNCF, fizeram sua estratégia de atualização em uma ferramenta de marketing para reviver o interesse dos usuários bastante regularmente, com o desenvolvimentos a cada 2 a 4 semanas. Eles fazem um editorial de seu plano de desenvolvimento e usam métodos de gerenciamento bem conhecidos pela comunidade para constantemente aproveitar o feedback dos usuários em lojas de aplicativos ou redes sociais.

Para um aplicativo de negócios, o ritmo de desenvolvimento será geralmente menos sustentado, mas é uma boa ideia aproveitar esses métodos de gerenciamento da comunidade de maneira a envolver funcionários na vida das ferramentas que eles usam diariamente.  Ao fazê-lo, você garante permanecer intimamente alinhado não apenas com suas necessidades profissionais, mas também com os padrões de uso que determinam se eles permanecerão comprometidos com o aplicativo a longo prazo – o maior desafio sendo a preservação a simplicidade de uso do aplicativo original lançamento após lançamento.

DEVESENVOLVER EM LINGUAGEM NATIVA OU HÍBRIDA?

As linguagens nativas da Apple e do Android são padrões de mercado dos quais não se pode escapar. Um aplicativo desenvolvido em uma dessas linguagens não funciona em outra plataforma, o que significa que você tem de desenvolver o aplicativo duas vezes, se deseja estar presente nos dois mundos.

Linguagens híbridas oferecem uma alternativa tornando possível desenvolver o aplicativo principal apenas uma vez, e especializar o aplicativo no ponto final para torná-lo passível de uso em ambas as plataformas.

Embora haja uma vantagem econômica real nisto, é importante saber que os aplicativos desenvolvidos em linguagem nativa têm melhor desempenho na maioria dos contextos transacionais.

NÃO HESITE EM ACABAR COM UM APLICATIVO QUE ESTÁ ENVELHECENDO

Um aplicativo móvel não pode se desenvolver infinitamente. Além disso, o ciclo de vida dos aplicativos tende a ser cada vez mais curto: hoje, é de um ano e meio ou dois, no máximo. Isso não se explica por razões técnicas, mas acima de tudo porque o design inicial se torna fora de compasso com os usos atuais. Por exemplo, o burger menu, que se tornou disseminado em muito pouco tempo, faz com qualquer outra forma de menu pareça "careta", mesmo em um aplicativo profissional. Mudanças na forma dessa natureza são difíceis de prever, porém, todos nós nos tornamos rapidamente dependentes delas.  Integrá-las em um aplicativo já existente pode tornar-se cada vez mais complexo e oneroso. Chega um ponto em que é melhor eliminar o velho aplicativo e redesenvolvê-lo, de maneira que ele seja novamente de última geração e capaz de passar por um novo ciclo de desenvolvimento.

Esta é a estratégia adotada por todos os grandes aplicativos para o público em geral. Praticamente todo ano, eles mudam não apenas em interface e ergonomia, mas também passam por uma revisão, de maneira a tirar melhor proveito dos desenvolvimentos em sistemas operacionais e do ambiente técnico.  Essa aceleração, que exige recodificação, é particularmente frustrante para desenvolvedores: hoje, o sucesso de um aplicativo móvel depende menos de um código bem escrito do que da experiência do usuário e a natureza "sexy" e inovadora da interface.  Este é o caso para aplicativos para o público em geral, da mesma forma que para aplicativos de negócios, por uma razão bastante óbvia: o usuário diário dos aplicativos Facebook, Twitter ou Snapchat espera encontrar o mesmo nível de simplicidade e qualidade de experiência em seus aplicativos profissionais.  Este é um fator decisivo na aceitabilidade do aplicativo, e compete aos designers e desenvolvedores combinar seus talentos para disfarçar a complexidade subjacente e entregar aplicativos cada vez mais simples e intuitivos.

 Fonte: Statista, junho de 2016 – http://www.statista.com/statistics/276623/number-of-apps-available-in-leading-app-stores/
2  Teoricamente, um Design Sprint dura 5 dias.  Para um aplicativo de negócios elaborado, como aquele criado pela Keyrus para a empresa Ricard, um "sprint" de 3 semanas é mais realista.

Sobre o autor

Em 1999, Jean-Philippe Clair participou da criação do editor Knowings, que, ao longo dos anos, tornou-se uma grande empresa em soluções colaborativas.  Em 2011, uniu-se ao grupo SQLI e assumiu a gerência do centro de Gestão de Conteúdo da Empresa (ECM) e, subsequentemente, do centro de Consultoria Digital da Wax Interactive em Lyons. Uniu-se à Keyrus em 2014 para gerir as operações digitais nas regiões e também geriu várias atribuições de consultoria em questões relacionadas com Dispositivos Móveis e Transformação Digital, em seguida assumindo a gestão da Keyrus Digital France Agency em 2016.

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